
Resposta rápida: as cartas da corte são as dezesseis figuras humanas dos arcanos menores, quatro em cada naipe: Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei. O posto indica o grau de maturidade diante do assunto (o Valete aprende, o Cavaleiro se lança, a Rainha compreende por dentro, o Rei conduz por fora) e o naipe indica o terreno da vida em que isso acontece (Paus é ação, Copas é afeto, Espadas é pensamento, Ouros é matéria). Na mesa, cada figura pode ser uma pessoa envolvida, uma parte de quem consulta ou a atitude que a situação está pedindo.
Quase todo mundo que começa a estudar tarot passa por um mesmo susto. Os arcanos maiores têm nome e história, as cartas numeradas contam etapas de um processo, e aí, no meio do baralho, aparecem dezesseis figuras de gente que parecem não caber em lugar nenhum. São elas as cartas da corte, também chamadas de cartas de figura ou simplesmente de figuras.
Elas formam a segunda metade dos arcanos menores. Cada um dos quatro naipes tem dez cartas numeradas, do ás ao dez, e mais quatro figuras: Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei. Quatro naipes vezes quatro postos dão as dezesseis cartas da corte, que somadas às quarenta numeradas formam os cinquenta e seis arcanos menores. Com os vinte e dois maiores, chega-se às setenta e oito cartas do baralho completo.
A origem é bem mais concreta do que se imagina. O tarot nasceu na Itália do século quinze a partir dos baralhos de cartas comuns, que já tinham figuras da corte real. O nome varia conforme a escola: no tarot de Marselha e no Rider Waite Smith usa-se Valete (ou Pajem), Cavaleiro, Rainha e Rei; no baralho de Thoth, criado por Aleister Crowley e pintada por Frieda Harris, os nomes viram Princesa, Príncipe, Rainha e Cavaleiro. A estrutura é a mesma, apenas com uma troca de rótulos que costuma confundir quem usa mais de um baralho.
O que muda de verdade em relação às demais cartas é a função. As numeradas descrevem situações. As figuras descrevem posturas: modos de estar diante de um assunto, com um grau de maturidade e um estilo próprios.
Antes de olhar posto por posto, vale fixar o terreno. Cada naipe corresponde a um dos quatro elementos, e essa correspondência sustenta toda a leitura das figuras.
Se essa divisão soa familiar, é porque ela é a mesma dos elementos dos signos na astrologia. Não é coincidência: o sistema de correspondências que organiza o tarot moderno foi montado justamente para fazer as duas linguagens conversarem, assunto que o artigo sobre tarot e astrologia destrincha com calma.
Aqui está a chave que resolve a maior parte das dúvidas. O posto não diz respeito a idade, sexo ou posição social de ninguém. Ele descreve a relação de maturidade entre a pessoa e o elemento do naipe.
O Valete é o começo da relação com aquele elemento. Ele traz curiosidade, entusiasmo de principiante, disposição para experimentar e uma boa dose de inexperiência. Nas leituras antigas, o Valete costumava anunciar notícias e mensagens, sentido que se mantém até hoje: quando ele aparece, alguma informação nova sobre aquele assunto está prestes a chegar. É também a carta do convite: algo se abre e pede que você experimente sem ainda saber fazer direito.
O Cavaleiro pega o elemento e sai a galope com ele. É movimento, impulso, entrega total a uma direção. Cada Cavaleiro tem uma velocidade própria, e essa diferença importa muito na hora de falar de tempo: o de Paus é rápido e impaciente, o de Espadas é fulminante e às vezes atropela, o de Copas avança devagar e com romantismo, o de Ouros anda no passo mais lento de todos, porém não para nunca. A sombra do posto é o excesso: o Cavaleiro tem força de sobra e medida de menos.
A Rainha domina o elemento pela vivência. Ela não precisa provar nada, porque já atravessou aquilo. É a carta da maturidade interna: sabe sentir, sabe cuidar, sabe reconhecer o que está acontecendo antes que apareça na superfície. Onde o Cavaleiro age, a Rainha percebe. Quando ela sai numa tiragem, o convite quase sempre é o de escutar a própria experiência em vez de correr atrás de conselho externo.
O Rei domina o mesmo elemento no plano da autoridade e da responsabilidade. Ele decide, organiza, responde pelo resultado e sustenta o compromisso diante dos outros. É a carta do domínio realizado, com tudo o que isso traz de bom e de arriscado, porque a sombra do Rei é o controle. Vale insistir num ponto: Rainha e Rei não formam hierarquia, nem correspondem ao gênero de quem consulta. São dois modos igualmente maduros de lidar com a mesma força, um voltado para dentro e outro para fora.
Cruzando os quatro postos com os quatro naipes, chega-se ao mapa completo. Use este quadro como referência rápida e depois volte para a carta que saiu na sua tiragem.
Esta é a dúvida que mais aparece na mesa, e ela tem resposta clara. Uma carta da corte pode ser lida de três maneiras, e cabe a quem interpreta descobrir qual delas vale naquela tiragem.
Três pistas ajudam a decidir. A primeira é a pergunta: quem perguntou sobre alguém tende a receber gente como resposta. A segunda é a posição na tiragem: em uma tiragem de três cartas, a casa do conselho puxa a leitura de atitude, enquanto uma casa de influências externas puxa a leitura de pessoa. A terceira é a vizinhança: figuras cercadas de outras figuras costumam ser gente, e figuras cercadas de cartas de situação costumam ser postura.
Nenhuma figura invertida vira uma pessoa má. A inversão mostra o elemento do naipe fora de medida, e o trabalho é identificar se o problema é excesso, falta ou desvio de uso. O tema é o mesmo que rege as cartas invertidas no tarot de modo geral, apenas aplicado às figuras.
Alguns exemplos que aparecem muito na prática. O Rei de Espadas invertido é o critério virando frieza, a regra aplicada sem gente dentro. A Rainha de Copas invertida fala de acolhimento que virou carência, ou de emoção que transbordou sem contorno. O Cavaleiro de Paus invertido é o entusiasmo sem direção, aquele que começa cinco coisas na mesma semana. O Valete de Ouros invertido costuma indicar o começo adiado por medo de errar, ou o estudo que não sai do papel.
Uma leitura alternativa, útil quando a carta parece não encaixar: a figura invertida pode apontar uma qualidade que existe em você mas ainda não foi assumida. Nesse caso, a inversão não acusa, apenas mostra o que está esperando espaço.
Há uma camada a mais para quem gosta de aprofundar. No sistema de correspondências da Aurora Dourada, que organiza boa parte do tarot moderno, as figuras adultas de cada naipe recebem atribuições zodiacais. Cada uma das doze cartas maduras cobre um trecho de trinta graus que atravessa dois signos, começando no último decanato de um e seguindo pelos dois primeiros do seguinte. As quatro cartas de posto mais jovem, os Valetes ou Princesas, não recebem signo e sim quadrantes do céu, ligados à Terra como elemento receptor.
Na prática cotidiana da mesa, porém, a correspondência mais útil é a simples e direta: naipe corresponde a elemento, e o posto corresponde ao modo de vivê-lo. Quem quiser cruzar as duas linguagens com mais profundidade encontra o mesmo raciocínio nos artigos sobre planetas regentes e qualidades dos signos, que descrevem exatamente essa combinação entre matéria e movimento.
Um roteiro curto resolve quase todas as tiragens em que aparecem figuras:
Um detalhe que ajuda muito quem está treinando: quando várias figuras saem juntas, o assunto quase sempre é feito de gente. Pode ser uma família, uma equipe, uma disputa com muitos lados. Também pode ser um sinal de que a pessoa está dividida entre papéis demais e não sabe de que lugar agir. Nos dois casos, nomear cada figura em voz alta costuma desatar o nó.
Se você quer treinar sem pressa, a prática da carta do dia é o melhor caminho: quando uma figura sai, observe o dia inteiro e veja quem, ou qual parte de você, agiu daquele jeito. E se a dúvida é sobre uma situação concreta que já está em curso, uma consulta de tarot online com a taróloga ajuda a colocar nome no que as cartas estão mostrando.
São as dezesseis figuras humanas dos arcanos menores, quatro em cada naipe: Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei. Elas não têm número como as cartas de ás a dez e formam um grupo à parte dentro do baralho, com função própria. Enquanto as cartas numeradas descrevem situações e etapas de um processo, as cartas da corte descrevem posturas: um jeito de encarar aquele assunto. Por isso podem apontar uma pessoa real envolvida na questão, uma parte de quem consulta ou simplesmente o comportamento que a situação está pedindo.
Não, e essa é a confusão mais comum de quem começa. A leitura tradicional dizia que a figura apontava alguém de carne e osso, muitas vezes descrito até pela cor do cabelo, mas a prática moderna trabalha com três possibilidades. A carta pode indicar uma pessoa envolvida no assunto, pode indicar uma parte de quem consulta que está ativa naquele momento, ou pode indicar o clima e a atitude que a situação exige. Quem define qual das três vale é a posição na tiragem, a pergunta feita e as cartas vizinhas.
A Rainha vive o elemento do naipe por dentro e o Rei o exerce por fora. A Rainha domina a energia do naipe no plano da experiência: ela sente, nutre, compreende e sabe o que aquilo é porque atravessou. O Rei domina a mesma energia no plano da ação e da autoridade: decide, organiza, responde pelo resultado e sustenta o compromisso diante dos outros. Não existe hierarquia de valor entre as duas, e nada disso tem relação com o gênero de quem consulta. São dois modos maduros de lidar com o mesmo elemento.
Costuma indicar que o assunto é feito de gente. Muitas figuras na mesa apontam uma questão em que várias pessoas estão envolvidas, como uma família, uma equipe de trabalho ou uma disputa com opiniões diferentes. Também pode mostrar que a própria pessoa está dividida entre vários papéis ao mesmo tempo, sem conseguir escolher de que lugar agir. Nos dois casos o conselho prático é o mesmo: nomear cada figura, entender o que cada uma quer e decidir com clareza quem vai falar por você naquela situação.
A inversão costuma mostrar o elemento do naipe fora de medida, para mais ou para menos, e não uma pessoa má. O Rei de Espadas invertido não é um vilão, é o julgamento afiado virando frieza ou rigidez. A Rainha de Copas invertida fala de acolhimento que virou carência ou de emoção que transbordou sem contorno. O Cavaleiro de Paus invertido é o entusiasmo sem direção. O Valete de Ouros invertido é o começo adiado por medo de errar. Leia sempre como excesso, falta ou uso distorcido da mesma força.
Leia também: Arcanos menores do tarot · Arcanos maiores · Cartas invertidas · Tiragem de três cartas · Carta do dia
Conteúdo do Axé Umbanda, baseado na tradição do tarot de Marselha e do Rider Waite Smith, nas correspondências clássicas dos arcanos menores e na vivência da casa. Material informativo e de autoconhecimento; não substitui aconselhamento profissional. Última atualização: 10 de setembro de 2026.