
Resposta rápida: para começar no tarot, escolha um baralho ilustrado (o Rider Waite Smith é o mais indicado para iniciantes), entenda a divisão das 78 cartas em 22 arcanos maiores e 56 menores, aprenda a formular perguntas abertas em vez de perguntas de sim ou não, e pratique com a tiragem de três cartas. Estude uma carta por dia, anote tudo num caderno e interprete a imagem antes de consultar o significado pronto. Em cerca de três meses de constância você já faz leituras simples com coerência.
Antes de embaralhar a primeira vez, vale acertar a expectativa. O tarot é um sistema simbólico de 78 cartas que funciona como espelho: ele mostra as forças em jogo numa situação, os recursos que você tem, os obstáculos que ainda não nomeou e as consequências prováveis de cada caminho. Ele não é uma bola de cristal que entrega o futuro fechado, e nenhuma leitura séria tira de você a liberdade de escolher.
Essa distinção não é detalhe. Quem começa esperando previsão exata se frustra e desiste. Quem começa entendendo o tarot como ferramenta de leitura do momento presente aprende rápido, porque passa a olhar para as cartas com curiosidade em vez de ansiedade. Na nossa casa trabalhamos com esse fundamento: a carta orienta, a pessoa decide, e a responsabilidade pela escolha continua sendo de quem consulta.
A escolha do baralho define a sua curva de aprendizado. Para quem está no começo, a recomendação é o Rider Waite Smith, publicado em Londres em 1909, concebido por Arthur Edward Waite e ilustrado por Pamela Colman Smith. O motivo é prático: nele, todas as 78 cartas têm cena desenhada, com personagens, gestos e paisagem. Você consegue interpretar boa parte pela imagem, antes mesmo de ter decorado qualquer significado.
O Tarot de Marselha, herdeiro dos baralhos franceses do século XVIII, é uma escola belíssima e muito sólida, porém os arcanos menores dele não trazem cena: são símbolos do naipe organizados em desenho geométrico. Ler Marselha exige dominar numerologia, natureza dos naipes e leitura por combinação. É um caminho excelente, mas é o segundo passo, não o primeiro.
Sobre a lenda de que o baralho precisa ser presenteado: não existe fundamento tradicional para isso. Compre o seu, escolha uma arte que te encante de verdade e trate as cartas com cuidado. Guarde em pano ou caixa própria, mantenha fora do chão e reserve esse baralho para a leitura. Se quiser um ritual de início, veja como limpar e energizar o baralho.
✦ Faça a sua primeira pergunta ao tarotUm baralho de tarot se divide em dois grandes grupos, e entender essa arquitetura é metade do caminho.
Numerados de 0 (O Louco) a XXI (O Mundo), os arcanos maiores tratam dos grandes temas da vida: escolhas de rumo, amadurecimento, perdas, renascimentos, vocação. Quando aparecem em quantidade numa tiragem, o assunto é estrutural, daqueles que marcam época. A sequência dos 22 conta uma jornada, do salto inocente do Louco até a integração do Mundo, e estudar essa narrativa em ordem ajuda muito mais do que decorar carta por carta solta.
Os arcanos menores falam do cotidiano: trabalho da semana, conversa pendente, dinheiro do mês, clima de uma relação. Eles se dividem em quatro naipes de 14 cartas, do Ás ao Dez mais quatro cartas da corte (Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei). Cada naipe tem um elemento e um território:
Some o número com o naipe e você já tem uma leitura básica. Cinco costuma indicar crise e perda; em Copas, isso vira luto ou decepção afetiva. Três costuma indicar realização inicial e colaboração; em Ouros, vira reconhecimento pelo trabalho bem feito. Esse método está detalhado em numerologia no tarot e é o que sustenta a leitura quando a memória falha.
Preparação não é superstição, é atenção. Escolha um lugar tranquilo, desligue notificações e reserve pelo menos vinte minutos sem pressa. Muita gente gosta de acender uma vela branca e pedir proteção antes de começar, e na tradição umbandista isso tem sentido claro: você está abrindo espaço para escutar, e é bom fazer isso com a cabeça firme e o coração sereno.
Evite ler sob raiva intensa, medo agudo ou depois de discussão. Não porque as cartas vão mentir, mas porque a sua interpretação vai. O tarot lido em desespero costuma virar espelho do desespero, e não do assunto. Se o dia está pesado demais, respire, tome água, e deixe para depois.
A qualidade da resposta depende quase inteiramente da qualidade da pergunta. Perguntas fechadas e passivas produzem leituras pobres. Perguntas abertas e centradas em você produzem leituras úteis.
Uma pergunta por tiragem, sempre. Repetir a mesma pergunta várias vezes até vir a carta desejada é o hábito que mais estraga leitura de iniciante. Se a resposta veio difícil, o trabalho é digerir, não insistir. Para dúvidas objetivas, existe o método próprio do tarot sim ou não, que tem regras claras e limites honestos.
Comece pela tiragem de três cartas, que é simples de montar e suficientemente rica para ensinar. Embaralhe com calma pensando na pergunta, corte o baralho com a mão esquerda, separe três cartas e disponha da esquerda para a direita. A leitura mais comum é passado, presente e futuro provável, mas há arranjos melhores para quem está aprendendo:
Defina a posição de cada carta antes de virar, nunca depois. Mudar o significado das posições conforme as cartas aparecem é enganar a si mesma.
Existe um roteiro que funciona bem e que você pode seguir carta a carta, em voz alta se ajudar.
Depois de interpretar as três separadamente, olhe o conjunto. Predominância de um naipe indica onde a energia está concentrada. Muitos arcanos maiores indicam assunto de peso. Figuras que se olham ou se dão as costas contam uma história entre elas. Esse olhar de conjunto é o que transforma três significados soltos numa leitura de verdade.
Mantenha um caderno. Anote data, pergunta, cartas, sua interpretação e, semanas depois, o que de fato aconteceu. Esse caderno vai te ensinar mais do que qualquer livro, porque ele mostra o seu vocabulário pessoal com as cartas se formando.
Constância vence intensidade. Vinte minutos por dia rendem muito mais do que quatro horas no domingo.
Ao fim desse ciclo você não será taróloga formada, e tudo bem. Você terá o que importa no começo: leitura própria, método e honestidade. O resto vem com os anos, com estudo continuado e, se for do seu caminho, com a orientação de quem já trilhou antes.
✦ Consultar o tarot com a taróloga Maria AméliaNão. Essa é uma crença antiga e muito repetida, mas não existe regra tradicional que a sustente. O baralho comprado por você mesma funciona exatamente igual, e há até uma vantagem nisso: você escolhe uma arte com a qual tem afinidade real, o que faz diferença enorme no estudo. O que de fato importa é o cuidado com as cartas, a constância no uso e o respeito com que você conduz cada leitura.
Com estudo diário de vinte a trinta minutos, a maioria das pessoas consegue fazer leituras simples e coerentes de três cartas em cerca de três meses. Ler com fluidez, enxergando combinações e nuances, costuma levar de um a dois anos de prática. O tarot é como um idioma: você fala frases curtas cedo, mas a conversa livre vem com o tempo. Ninguém decora 78 cartas em uma semana, e quem promete isso está vendendo atalho.
O Rider Waite Smith, publicado em 1909, é o mais indicado para iniciantes, porque todas as 78 cartas trazem cenas ilustradas e a imagem já conta parte da história. Isso permite interpretar antes mesmo de decorar significados. O Tarot de Marselha é magnífico, porém pede estudo prévio de numerologia e naipes, já que os arcanos menores dele não têm cena desenhada. Comece pelo Rider Waite e, se quiser, migre depois.
Pode e deve, especialmente enquanto estuda. A autoleitura é o melhor laboratório que existe, porque você conhece o contexto e consegue conferir se a interpretação fez sentido. O cuidado necessário é com o apego ao resultado: quando queremos muito uma resposta, tendemos a ler nas cartas aquilo que desejamos ouvir. Para assuntos em que você está emocionalmente envolvida demais, procurar uma leitura externa costuma ser mais honesto.
Não. Muitos tarólogos experientes leem apenas com cartas na posição normal e obtêm leituras profundas, porque cada arcano já carrega um espectro que vai da expressão mais luminosa à mais sombria. Para quem está começando, deixar as invertidas de lado reduz pela metade o volume de estudo e evita confusão. Quando as 78 posições normais estiverem firmes, você pode incorporar as invertidas como matiz, não como oposto automático.
Leia também: Arcanos maiores · Arcanos menores · Tiragem de três cartas · Carta do dia · Limpar e energizar o baralho · Marselha ou Rider Waite
Conteúdo do Axé Umbanda, baseado na estrutura clássica do baralho de 78 cartas, na edição Rider de 1909 de Arthur Edward Waite e Pamela Colman Smith, na tradição do Tarot de Marselha e na vivência de atendimento da casa. Material informativo e de autoconhecimento; não substitui aconselhamento profissional. Última atualização: 17 de setembro de 2026.